Confira 10 protestos em forma de marchinhas e sambas-enredo deste carnaval

 

Letras vão de críticas às reformas de Temer a protestos contra os prefeitos Marcelo Crivella, do Rio, e João Doria, de São Paulo

Fonte: Rede Brasil Atual

Com o cenário político turbulento, marchinhas e até sambas-enredo se politizaram no carnaval deste ano. Com críticas às reformas de Temer e a figuras políticas, como os prefeitos Marcelo Crivella (Rio de Janeiro) e João Doria (São Paulo), a folia também se mostra um espaço de luta.
Os blocos de rua cada vez mais se firmam como palcos de manifestações. O Comuna Que Pariu, no Rio de Janeiro, protesta contra a reforma trabalhista e da Previdência. Ainda na capital fluminense, o Simpatia É Quase Amor, que desfilou na semana passada, ironizou a gestão de Marcelo Crivella. Já em São Paulo, Doria é criticado na marchinha intitulada Prefake, do Bloco do Fuá.
De acordo com Tiago Rodrigues, trompetista do bloco Orquestra Voadora, o modelo de financiamento do carnaval carioca feito pela gestão Crivella é uma ameaça à festa tradicional. “A gente faz tudo por conta própria, temos um auxílio da Secretaria de Cultura do estado, mas isso não paga nem metade dos custos. Fazemos vaquinha, vendemos camisetas, nos viramos, mas muitos ainda têm que tirar dinheiro do bolso. E como resposta temos que cumprir mais e mais exigências sem dinheiro”, explica em entrevista ao Brasil de Fato.
Algumas marchinhas estão fora das ruas, mas fazem sucesso na internet. São canções que satirizam políticos, como a Bolsomico que diz ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) “ir embora, sair correndo para a aula de história”. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes também é um dos “homenageados”. “Eu tô em cana, vem me soltar”, cantam.
Confira 10 letras das músicas de carnaval que farão a crítica política com alegria neste ano:

1. Bloco do Fuá
 

Com o tema Humanicidades: carnavalizando essa zona toda e derretendo a Doriana no asfalto, o Bloco do Fuá ocupa as ruas do Bixiga, no centro de São Paulo, no próximo domingo (11), às 15h (confira aqui a programação completa do carnaval de rua paulistano). A composição da marchinha Prefake é de Marco Ribeiro e Adriano Filho e faz críticas ao prefeito João Doria (PSDB).
 

2 Comuna que pariu

O tradicional bloco carioca Comuna que Pariu desfila na próxima segunda-feira (12), saindo da rua Rua Alcindo Guanabara, no centro do Rio, a partir das 15h. O tema do enredo de 2018 é Cadê o futuro que estava aqui? O patrão comeu, com críticas às “reformas” trabalhista e da Previdência, proposta por Temer. A composição é de Alisson Martins, Belle Lopes, Bil-Rait “Buchecha’, Guilherme Sá, Letícia, LG, Nina Rosa, Tiago Sales e Thiago Kobe.

3. Simpatia É Quase Amor

Neste ano, o bloco Simpatia É Quase Amor incluiu em seu repertório para o desfile no carnaval de rua do Rio de Janeiro um samba com críticas ao prefeito Marcelo Crivella. O desfile será no domingo (11), às 16h, saindo da Praça General Osório, em Ipanema, zona sul. O Samba da adivinhação foi composto por Manu da Cuíca, Luiz Carlos Máximo, Belle Lopez e Bil-Rai.

4. Bloco dos Barbas

Mais um desfile de rua que terá protesto em seu enredo é o Bloco dos Barbas, que brincará no próximo sábado (10), com concentração na Rua Assis Bueno, na zona sul, a partir das 14h. A letra de Deivid Domênico, Marcelo Carvalho, Alexandre Araujo, Durval Borges e Luiz Fernando também protesta contra Crivella.

5. Imprensa Que Eu Gamo 

Com um tom bem humorado, o bloco carioca Imprensa Que Eu Gamo fez um enredo inspirado em diversas “pautas”. A letra fala sobre a exposição queer censurada no Santander Cultural, o caso de racismo envolvendo o jornalista William Waack e até o apelido de “MiShell” dado a Temer após denúncia de favorecimento a Shell.
A música cantada no desfile realizado no último dia 27, é inspirada no hit internacional Despacito, do cantor porto-riquenho Luis Fonsi. A composição é de Caio Nolasco, Carlos Fidélis, Chico Nogueira, Djalma Júnior, Gabriel Goyanes, Guilherme Pecly, Jorge Sápia, Leo Diniz, Paulo Fraiz e Thiago Prata.

6. Política na Sapucaí

O carnaval do Rio de Janeiro também será palco de protestos na Marquês de Sapucaí. A Paraíso do Tuiuti vai para a avenida este ano contestar que a história da escravidão ainda não acabou no Brasil. Com o enredo Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?, a escola critica a “reforma” trabalhista.
Integrantes da escola de São Cristóvão vão atravessar a avenida vestidos com as cores da bandeira do Brasil, segurando panelas e carregando um pato inflável amarelo, em alusão a um dos símbolos levados para as ruas pela Fiesp. Os ‘manifestantes fantoches’, é uma ironia as pessoas que pediram impeachment da presidenta Dilma Rousseff, em 2016.
Outra fantasia que chama a atenção é a chamada de “Guerreiro da CLT”, que trará um trabalhador sobrecarregado com várias tarefas, tentando se proteger da exploração patronal, usando uma carteira de trabalho como escudo.

7. BolsoMico

A banda mineira Orquestra Royal apresentou em janeiro que é possível misturar as eleições deste ano com a folia. Eles lançaram a marchinha BolsoMico, pedindo que Bolsonaro vá embora e leve também os prefeitos João Dória e Marcelo Crivella, o Movimento Brasil Livre (MBL) e Alexandre Frota.

8. Marchinha da Assombração

O carnavalesco Gustavo da Macedônia criou a Marchinha da Assombração, uma das finalistas do 7º Concurso de Marchinhas Mestre Jonas, realizado no último dia 4. A canção satiriza o presidente Michel Temer como “o vampiro, o covarde mestre-salas, que se esconde na Alvorada”.

9. Alô, Gilmar

Roberto Kelly, autor das marchinhas clássicas Cabeleira do Zezé e Mulata Iê-Iê-Iê, decidiu “homenagear” o ministro do STF Gilmar Mendes. A crítica feita na música Alô, Alô, Gilmar é sobre as diversas solturas de presos ordenadas pelo ministro.
10. Marchinha da Previdência
A Pública Central do Servidor publicou no dia 1º a marchinha Não vá mexer na nossa Previdência, também contra a “reforma” previdenciária proposta por Temer. A música alega falta de autoridade moral e ética dos deputados e senadores para votar o projeto.